Bonde Matrimônio !


Casamento, dúvida e certeza
7 07UTC fevereiro 07UTC 2010, 15:30
Filed under: A jornada até o altar | Tags: , , ,

“Já percebeu o que você está fazendo? Você está se casando!” disse Genoveva, feliz, com os olhos concentrados em mim.

“Você está se casando.”
“Você está se casando.”

Nossa, como gosto disso hoje. Mas nem sempre foi assim. Como a gente chegou até aqui mesmo?
Ah é, foi preciso dar um empurrão à iminência.
Rachar a dúvida. Agarrar a certeza.

Eis um pequeno conto sobre esse momento

Os dias que ficam

Enquanto um clamava o consolo, o outro já marcava a hora no salão, à espera de aprumo nos cabelos e de brilho nos sapatos, pois iam ferver os salões.

Há pouco mais de um mês… Pouco mais de um mês? Como é que três semanas mudam a vida da gente, quem sabe, talvez, pra todo o sempre?

Bem, isso se faz num dia, diria o atento. Não, por favor, não arranquem a força da dúvida. Deixe-a refletir sobre a vida, imaginando que a grandeza da vida se faz em planejamento anual, quando se escolhem as datas e embalam-se as esperanças, fiadas com o esmero do tempo.

Ok, quebrantou-se a dúvida, que era a mais fiel das certezas. Tanto se gasta no tricô e na renda, mas tudo se resolve num lapso de tempo, num escorregão da dúvida ou numa dor de agulha no peito. Do consolo e do aprumo nos cabelos que ninava a solidão, tomaram rumo contrário.

Que certezas que as gentes têm quando decidem passar a vida com alguém? Tem-se a certeza da felicidade ou do sorriso eterno? Tem-se a certeza dos filhos? Tem-se a certeza de casa arrumada, bolo de milho e café quente? Tem-se a certeza incondicional?

Pois então lhes digo que, enquanto um clamava o consolo e o outro marcava a hora, três semanas… ou dois dias, por bem dizer, pra contrariar o atento, dois dias lhe encararam a certeza do desespero. O desespero é a incondicional certeza do que não se quer, porque nada mais se sabe.

Mas terão dúvidas aqueles que não se preocupam com elas? Um e outro eu sei que se preocupam. Mas que tal outro alvo?

Pois bem: mirem os brilhos nos sapatos. Pois, de tudo, o que se sabe é que decidiram ferver os salões. Optaram pelos dias que ficam.

…ao atento que rumina, não me esqueci de que talvez o fim seja o mesmo: os salões. Mas são salões distintos, pense bem. E não me venha com essa dúvida.

(Conto por Diego)

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